Moradores de rua são evangelizados na madrugada em CG

IMG_9935Há quase dois anos, o Grupo Resgate evangeliza moradores de rua em pontos centrais de Campina Grande. A ação ocorre sempre às sextas-feiras à noite, indo até a madrugada do sábado. O trabalho envolve irmãos da Igreja Assembleia de Deus Congregação Jardim das Oliveiras, localizada no bairro Jardim Paulistano.

Antes de ir às ruas, a equipe composta por 40 pessoas se une em oração na casa do casal Gerson e Juliana Zequim. Por lá é realizado um devocional com louvores, ministração da Palavra de Deus e momentos de intercessão. Além do preparo espiritual, o grupo se empenha na confecção de um lanche que é servido aos que vivem à margem da sociedade. De acordo com a coordenadora da equipe, Juliana Fong de Oliveira Zequim, essa preparação não se limite apenas ao devocional em sua casa, pois “há uma semana atrás nós estávamos numa vigília. Amanhecemos o dia na presença de Deus, nos renovamos, nos revigoramos de unção, de graça, de poder para descer às ruas e falar do amor tão grande de Jesus para essas vidas”, afirmou.

Gerson Zequim dos SantosO coordenador Gerson Zequim dos Santos também reforça a atuação do grupo junto aos menos favorecidos. Segundo ele, o trabalho exerce uma função mais que social, pois atrela a ação evangelística com a ressocialização das pessoas que se encontram nas ruas. “A equipe não só leva o alimento para o corpo, ela leva alimento espiritual, a Palavra de Deus, o Evangelho. Leva aconselhamento, leva medicamento. Às vezes, roupa, calçado, etc. E nós não só tiramos as pessoas das ruas, através do convencimento pelo Espírito Santo, da Palavra, mas pessoas voltam para suas casas”, relatou o coordenador.   

Um dos componente do Resgate que traz consigo uma história de superação é Iremar Santos Nascimento. Um dia ele já foi invisível à sociedade. Há quatro meses no grupo, o ex-usuário de drogas foi resgatado quando ainda perambulava pelas ruas da Feira Central. Sua restauração aconteceu há mais de um ano. “A sensação é maravilhosa de eu passar por esses becos na feira e ter a certeza, dentro de mim, que eu vou passar em cada esquina e não vou parar me drogar como eu fazia antes. Porque antes, na primeira esquina que eu parasse já era para me drogar, e hoje em dia eu fico pensando só Deus mesmo na vida do homem para tirar a vontade de se drogar”, testemunhou.

O Resgate foi um importante agente para que Iremar conseguisse retornar ao convívio social. Hoje ele está de volta à sua casa, com seus filhos e esposa.

Pessoas impactadas pelo Resgate Morador de rua ouve a Palavra de Deus Grupo Resgate em ação 

Na noite do dia 26 de junho, a nossa equipe de reportagem acompanhou de perto a atuação do Grupo Resgate. A primeira abordagem foi em um ponto próximo à Feira Central. O local aparentava estar abandonado. No interior dele havia alguns moradores de rua. Difícil era acreditar que alguém conseguisse viver em meio a tanto lixo. Sem contar o mau cheiro que contaminava o lugar. Por lá encontramos Adriana Vieira. Usuária de drogas e há 1 ano nas ruas, ela tem família, mas infelizmente não consegue ficar muito tempo em casa. “Minha mãe faleceu há 8 meses. De lá para cá eu não me aguentei mais em casa e vim parar nas ruas. Minha família faz de tudo por mim, eu tenho irmão policial, minha família é tudo gente boa, só eu que entrei nessa vida. Eu queria muito sair dessa situação, já estou cansada – meu Deus! – não dá mais para mim não”, desabafou a moradora de rua.

Adriana Vieira recebe o carinho do ResgateCiente dos prejuízos que os entorpecentes lhe causam, Adriana demonstrou fé ao falar sobre o desejo de um dia abandonar aquilo que lhe aprisiona nas ruas. “Só Deus sabe o que a gente vive dessa vida. A gente passa muita humilhação, sem contar a desconfiança que muitos têm. Isso é uma droga muito amaldiçoada, e mais amaldiçoado ainda é a gente que vive nela. Tantos exemplos negativos a gente vê por aí, mas eu creio, tenho fé em Deus pelas horas que são que um dia eu saio dela”, falou emocionada.

Após ter sido feito o apelo, Adriana aceitou a Cristo como Senhor e Salvador de sua vida, sendo mais um fruto dessa ação evangelística. Para ela, a visita do Resgate significou “uma coisa muito maravilhosa, muito importante para mim. Agora as portas estão abertas, quem tem que dá o primeiro passo sou eu. E eu creio, eu vou chegar lá, eu creio que vou chegar e testemunhar a minha vida numa igreja, eu creio”, declarou.

Seguindo o percurso, em meio aos becos da feira, o jovem Patrício Nascimento Santos vai conduzindo os períodos de adoração a Deus através dos acordes de seu instrumento. A entrada no grupo Resgate mudou por completo a sua vida. A partir do contato com as ruas, Patrício passou a enxergar com outros olhos o seu semelhante. “Este trabalho se resume em amor. Só essa palavra mesmo que realmente significa estar neste grupo, porque eu não conhecia o que era amor, nem evangelização, nem nada disso antes de entrar no grupo. E a partir da minha integração comecei a entender e a me identificar mais. Antes eu não tocava nenhum instrumento, nem cantava, então isso me fez dar o primeiro passo”, contou.

Quem também entende hoje o amor na prática é Joselma de Souza. Após o seu ingresso no Resgate, ela pôde vivenciar de perto a natureza sobrenatural desse sentimento. “No primeiro dia que eu entrei aqui na feira foi muito impactante. A gente fala que ama, mas a Bíblia diz que o amor é um mandamento. Eu estou nessa equipe vai fazer um ano e eu estou aprendendo a amar, estou na fase de aprendendo amar essas pessoas”, disse Joselma.

Culto realizado na Feira CentralSegundo a irmã Juliana Fong é exatamente a ausência de amor o principal motivo que leva as pessoas às ruas. “A problemática maior de hoje é a falta de amor no seio da família, que traz a pessoa para o mundo das drogas, para o mundo da prostituição, para o mundo da bebedeira, do crack, infelizmente. Mas para a glória de Deus existe um povo, remanescente na terra que tem feito a sua parte”, afirmou.

Naquela noite, ao término da ação evangelística realizada na Feira Central, quatro vidas se renderam aos pés de Cristo.

Reportagem: Victor Posse
Imagens: Veneziano Gonçalves

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