De pastor para pastor

Antes como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo: na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angustias, nos acoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns. Na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido. Na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e á esquerda, por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama: como enganadores, e sendo verdadeiros; Como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos: como morrendo, e eis que vivemos: como castigados, e não mortos; Como contristados, mas sempre alegres: como pobres, mas enriquecendo a muitos: como nada tendo, e possuindo tudo” (2Co 6. 4-10).

Olhando para este trecho da segunda epístola aos Coríntios, e tudo o que foi elencado por Paulo quanto a vida e comportamento do ministro do Evangelho de Jesus, perguntamos: Seria possível que alguém de carne e osso pudesse suportar física, espiritual, emocional e mentalmente essa carga toda de responsabilidade? Certamente que a resposta seria não. Não há em hipótese alguma, que um homem em sã consciência assuma tal responsabilidade, confiando em seus méritos, em suas forças físicas, mentais e emocionais.

O pastor, esse homem chamado por Deus para cuidar das ovelhas do seu pasto, como disse Pedro: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós…” (1Pe 5.2a), precisa confiar inteiramente na graça de Deus para o exercício dessa que é a mais sublime de todas as funções na face da terra. Missão essa, que transcende os limites terrenais. Sai da esfera da ciência humana, biológica e exata e galga patamares espirituais e celestiais. Há momento que na vida do pastor 2 + 2 não é  igual 4. Há momentos na vida e ministério pastoral, que o homem deixa de ser apenas homem para ser uma alma sedenta, um espírito angustiado, que precisa muito mais que remédios desenvolvidos pelos laboratórios químicos; pois ele está precisando da medicação do céu. E sendo do céu, não há laboratório na terra que possa desenvolver essa medicina. Quem não se lembra das palavras de Jesus ao anjo da igreja em Laodiceia?: Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; vestidos brancos, para que vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas” (Ap 3.18). Existem alguns materiais que o pastor usa no exercido do ministério, que não se encontra entre os homens. Não há fabricação na terra.

Há, alguns tipos de alimentos usados pelos pastores, que é fabricado no céu. Diz a Palavra: “E quando o orvalho descia, de noite, sobre o arraial, o maná descia sobre ele” (Nm 11.9). Onde era fabricado o maná? Ainda hoje existem alimentos sendo fabricados no céu, que os despenseiros (pastores chamados por Deus), os tomam, para entregar à Igreja do Senhor. “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus”. Sim, os pastores têm a difícil e sublime missão, de entrar na despensa de Deus e extrair aquilo que as ovelhas precisam para seu sustento espiritual. Relembrando as palavras de Jesus ao anjo da igreja em Laodiceia, ele fala de um tipo de ouro, que não é o ouro da terra; de um tipo de vestimenta que não são os vestidos deste mundo, e de um tipo de colírio que não é fabricado por aqui, mas no céu.

No céu há um movimento contínuo. A Bíblia fala de anjos que ministram aos que hão de herdar a salvação (Hb 1.14). Sendo assim, há uma conexão muito fina, entre o dono da igreja e o pastor chamado para essa tão sublime finalidade. Assim como o dono de uma grande empresa multinacional, que tem sua central, digamos nos Estados Unidos da América (EUA), porém, tem filiais por todos os continentes da terra. E, em cada um desse lugares tem seus gerentes de confiança para distribuição de tudo o que a empresa precisa para sua logística, bem como o produto que comercializa, tudo passa pela mão desse homem de extrema confiança do dono; assim, o pastor é esse representante de Deus na terra. Por isso mesmo, Paulo diz que “…requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel” (1Co 4. 2). E isso não é fácil. É humanamente impossível.

Por isso mesmo, que, apesar de toda preparação psicológica pastoral. Todos os cursos que possa e venha fazer. Toda capacitação humana, nas ciências antropológicas, sociológicas, etc. jamais estará apto para tal missão. A missão pastoral é uma missão dos desafios impossíveis! Quando a medicina diz que não tem jeito, aí vem o pastor dizendo que Jesus vai fazer o milagre. Quando o País está em crise e as portas estão fechadas, vem o pastor dizendo que Deus vai abrir as portas. Se lermos o texto paulino do início desta mensagem, vamos ver que o que estamos discorrendo aqui, está tudo contido lá. O pastor é o pobre que enriquece a muitos; é o fraco que fortalece a muitos; é o que não é conhecido na terra, mas que tem uma amizade estreita no céu; que é chamado de enganador na terra, porém, os habitantes do céu sabe que ele é verdadeiro. Só lembrando: naquele momento que Jesus disse que a filha de Jairo dormia, os que estavam na sala riram dele. Zombaram dele. Parece que dá para dizer que alguém disse entre os demais: Esse é um enganador! Nada disso: ali estava a verdade encarnada em homem.

Pastor que sofre, que chora, que ora nas madrugadas, que prega o verdadeiro Evangelho, que ganha almas para o Reino de Deus. Que vai para as vigílias buscar a presença do Senhor. Que cuida do rebanho que o Senhor lhe confiou. Que é menosprezado por muitos, mas fala a verdade, mesmo que muitas vezes não é ouvido. Que tira da sua boca para dar à Igreja do Senhor. Que ora pelos enfermos e vê os milagres de Deus. Que expulsa demônios em nome de Jesus e alimenta a igreja com a boa doutrina. Que é incansável na lide do ministério. Que não busca seus interesses, mas o interesse de Jesus Cristo, pois sabe que foi constituído como bispo, não por homens, mas, pelo Espírito Santo para apascentar o rebanho de Deus, que Ele resgatou com o Seu próprio sangue (At 20.28).

Pastor, que muitas vezes enfermo, cansado, entristecido, não para, não cede, não desanima, não diz que não dá, não diz que não pode, não diz que não tem, não mostra fraqueza, não reclama para alguém achar que ele é um coitadinho. Pastor chamado para tão sublime e transcendental missão. A missão de fazer Cristo conhecido por todos os homens. Como disse o apóstolo entre os gentios: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1Co 2.2).

De que material é feito esse homem chamado de Pastor? Que de manhã chora em um culto fúnebre e à noite está se alegrando na festa de casamento? Como é que seu coração aguenta? Como ele suporta tais oscilações em suas emoções? Um homem que sabe que foi traído por uma ovelha, mas, assim como Jesus chamou Judas de amigo na hora do beijo traidor, ele também chama de amigo, trata bem, e ora por essa pessoa. Um homem que tem que se manter sempre na linha. Todos podem, menos ele. Ele é o pastor, o exemplo, o herói, o paradigma, o ícone. Todos o chamam de pai. A última palavra é a dele. Que tamanha responsabilidade!

Se chora muito, o chamam de fraco, chorão; se não chora é seco, falta-lhe espiritualidade, é cara dura. Se se veste bem, é vaidoso; se não, é desleixado. Se anda de carro bom, está gastando muito o dinheiro dos dízimos; se anda de carro velho, é porque não sabe administrar bem o dinheiro da igreja. Que luta, que dificuldade, que fio de navalha!

Pastor chamado por Deus, permaneçamos firmes na vocação que o Senhor nos chamou. Quando as lutas apertarem, corra para os pés do Salvador. Lá tem lenitivo para a tua alma de pastor. Lá tem fortaleza para o teu coração de pastor. Lá tem alimento para o nosso espírito, muitas vezes solitário de pastor. Lá, aos pés de Cristo, tem a resposta que você pastor está precisando, seja para a sua família, seu ministério ou a igreja que o Senhor lhe confiou.

E, quando aparecer o Sumo Pastor; alcançareis a incorruptível coroa de gloria” (1Pe 5.4).

Parabéns, pastores!

Pr Daniel Nunes da Silva

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