A ética nas expressões verbais do pastor

A ética nas expressões verbais do pastor

A fala é a utilização oral da língua pelo indivíduo. Na fala usamos todo nosso aparelho fonador para comunicarmos. Quero falar exatamente sobre o uso da fala, as expressões verbais usadas pelo pastor ou obreiro do Senhor. Partindo da verdade Bíblica que o pastor é o exemplo do rebanho (1Pe 5.3), e a recomendação do escritor aos Hebreus que os crentes devem imitar ao seu pastor (Hb 13.7), quero falar da ética na fala do pastor.

A fala é uma das maiores expressões culturais de um povo. E, também, podemos dizer, o meio de comunicação mais convincente. Portanto, o obreiro, como um comunicador do Evangelho, deve saber usar com a maior propriedade possível esse meio. Há àqueles que dizem: “Se o povo, o qual vou trabalhar fala de qualquer modo, eu devo também falar da maneira dele”. O pastor não pode esquecer que ele é um padrão, um exemplo a ser seguido. Podemos dizer, que o pastor faz também o papel de pedagogo na sociedade onde está trabalhando, levando as crianças na fé ao caminho do aprendizado, e isso em todos os sentidos. Eugene H. Peterson, falando sobre o pastor que Deus usa, diz: “Todo trabalho do pastor acontece dentro do cenário da Igreja: a comunidade da fé. Ele não é o capelão de apenas alguns indivíduos, nem um preletor impessoal que só dirige a multidões. Antes é posto dentro de uma comunidade com a tarefa de edificá-la”. John Angell James, em seu livro “A grandeza do pastorado”. Um livro que fala sobre “um ministério que faz a diferença em um mundo indiferente”, nos diz assim: “Quando se trata de proferir sermões, pensamos em voz e gesto, ou no que Demóstenes chamou de ação. Demóstenes ao ser perguntado sobre qual era a primeira excelência de um orador, respondeu: “Ação”. Qual a segunda? “Ação”. Qual a terceira? “Ação”. James conta que depois da morte de um pregador, foi achado sobre sua mesa um bilhete fechado de alguém que tinha ouvido o seu último sermão. O bilhete dizia o seguinte: “Perdoe-me pelo fato de, sendo estranho, dirigir-lhe algumas palavras. Eu o ouvi pregar na noite do último sábado, e foi da vontade de Deus abençoar aquele sermão para a minha vida. Não foi tanto o que o Senhor disse, mas sua maneira de falar, que me impressionou. Eu vi no senhor uma beleza de santidade que jamais havia visto antes”. Lembro, porém, que este não se trata de um estudo homilético, que está atrelado apenas no momento da ministração da Palavra de Deus, mas à vida cotidiana do pastor. O obreiro deve se policiar, para que suas expressões verbais, quer sejam em público, com a família, com amigos em particular, não sejam de modo que venham denegrir a imagem de um homem de Deus, mas, sobretudo, glorificar a Deus (1Co 10.31).

Há obreiros que não medem as consequências de suas palavras. Algumas vezes, até palavras de baixo calão. Palavras chulas, que não devem sair da boca de um servo de Deus. Pois, a Palavra nos recomenda: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Ef 4.29). Paulo, ainda nos diz: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como convém responder a cada um” (Col 4.6).É inconcebível um pastor de “boca suja” como acostumamos dizer. Nosso vocabulário deve ser o mais limpo possível. Não estou dizendo que deve ser um português polido, clássico – seria bom que fosse – mas uma linguagem sadia, que desde um infante até ao ancião, possa ouvir sem ferir seus princípios. Hoje em dia, há uma onda de pastores que falam até palavrões imorais nos púlpitos. Deus tenha misericórdia de nós! Jesus disse: “Mas vos digo que de toda palavra ociosa que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado e por tuas palavras serás condenado” (Mt 12.36.37). Sabemos que os indivíduos vêm de diferentes classes sociais. De criação diferente. Isso pode querer justificar algumas vezes as diferentes maneiras de se expressar. Porém, todos aqueles que passaram pelo processo do novo nascimento, e optaram pelo ministério pastoral, devem passar pela reciclagem de Jesus, como os discípulos passaram (At 4.13). Todos aqueles que passam pela faculdade do rabi da Galileia, aprendem e se acostumam a falar como Ele (Mt 26.73). Escrevendo a Tito, pastor na ilha de Creta, Paulo diz: “Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós” (Tt 2.7,8). O grego para “sã” é hugies, que significa sadio, saudável, de boa saúde. Gosto da Nova Versão Transformadora da Bíblia (NTB), que diz: “Sua mensagem deve ser tão correta, a ponto de ninguém o criticar…”. O vendedor, o bancário, o médico, o comerciante, enfim, todos os profissionais, se esmeram em falar cada vez melhor, para poder tratar com qualidade aqueles que estão inseridos em seu contexto social. Será que o pastor não precisa estar se esmerando a cada dia? Creio, que se um professor é cobrado pelo seu linguajar, o que dizer de um pastor? Muito mais devemos cuidar de nosso vocabulário, de nosso linguajar. Talvez seja por isso que Paulo exorta a Timóteo dizendo: “Persiste em ler…” (1Tm 4.13), pois, quem mais lê, melhor fala.

Seja por costume, por criação ou por influência da sociedade, caso o pastor ou obreiro tenha uma linguagem vulgar, precisa corrigi-la com pressa. São muitos provérbios bíblicos que nos falam sobre a linguagem. “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” (Pv 25.11); “Desvia de ti a tortuosidade da boca e alonga de ti a perversidade dos lábios” (Pv 4.24); “A boca do justo é manancial de vida …” (Pv 10.11); “Prata escolhida é a língua do justo…” (Pv 10.20); “A boca do justo produz sabedoria em abundância …” (Pv 10.31); “Há alguns cujas palavras são como pontas de espada, mas a língua dos sábios é saúde” (Pv 12.18). C.L. Spurgeon, em Lições para meus alunos, volume 2, diz: “Mesmo em vossas recreações, lembrem-se de que são ministros. Quando está fora de mira, ainda continuam sendo oficiais do exército de Cristo, e, como tais, não se rebaixem”. Não podemos esquecer o que disse Salomão em Provérbio 18.21: “A morte e a vida estão no poder da língua”. Portanto, não é aconselhável ao obreiro ter uma linguagem baixa, chula, de baixo calão. Nem por brincadeira devemos emprestar nossa boca ao pecado (Tg 3.10-12). Concluo dizendo que o pastor deve evitar as gírias e linguagem vulgar, porque, a maioria das gírias são também deselegantes para serem usadas pelo embaixador dos céus. Que o Senhor nos ajude.

Pr. Daniel Nunes da Silva

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