IEADCG apóia venezulanos refugiados em Campina Grande

De uns anos para cá, o número de refugiados no mundo tem crescido bastante. Atualmente, o país que encontra-se inserido no 2º maior grupo populacional em deslocamento é a Venezuela. Isso devido a crise política e econômica que, desde 2015, assola a vida de seu povo. Diante desse cenário preocupante, cerca de 4 milhões de pessoas já emigraram para países da América Latina em busca de um futuro melhor. O Brasil tem recebido mais de 168 mil venezuelanos. Aqui em Campina Grande, o casal Leivis Parejo e Gleomar Aillón encontrou na Igreja Evangélica Assembleia de Deus o apoio para recomeçar suas vidas.

Leivis Parejo em curso de manicure

A vinda de Leivis ao Brasil aconteceu há sete meses, quando saiu da Venezuela em busca de uma vida mais digna. Até chegar à Paraíba, ela enfrentou uma série de dificuldades, mas nada que a impedisse de encontrar seu marido e, com ele, se refugiar na nação brasileira. Primeiro veio meu esposo para trabalhar e para poder se estruturar. Ele ficou mais tempo aqui trabalhando e depois com o passar do tempo mais ou menos ele pagou a passagem para mim, para que eu viesse para cá. Mas quando eu estive vindo para cá haviam dificuldades na Venezuela e nas fronteiras que eram todas fechadas”, relatou a venezuelana.   

Gleomar Aillón no pequeno salão montado com a ajuda de amigos e vizinhos

Gleomar desembarcou no dia 7 de agosto de 2018 no Estado de Roraima. De lá, foi encaminhado por uma ONG a Campina Grande-PB, onde conseguiu ficar empregado por um ano num restaurante no bairro do Catolé. “Graças a Deus fizeram meu cadastro pela Fraternidade Sem Fronteias – ela que está em Boa Vista, lá na fronteira também – que ajuda a todos os imigrantes sem intenção política. E me disseram que eu iria trabalhar em Campina Grande – onde é isso? – Campina Grande vai ter um patrão muito bom, muito bem, você vai ter uma casa para morar e vai ficar num refúgio onde tem pessoas, que se chama centro de reabilitação”, recordou.    

Quando passou a morar na comunidade do Jardim Atalaia, Gleomar não pensou duas vezes e foi logo procurando uma igreja para congregar. “Uma vez eu vim num domingo e precisava ir na Escola Dominical. Não sei. Me arrumei, me vesti, peguei minha Bíblia e saí procurando uma igreja e eu olhava por ali quando vinha para cá, uma igreja que tem por ali, porém fui a essa igreja e estava fechada nesse dia. E saí perguntando aonde tem uma igreja por aqui e falaram que tinha uma perto da praça, descendo, caminhando aqui para baixo e quando olhei, caminhei e a enxerguei”, descreveu Gleomar.

Congregação Rocha de Israel no Jardim Atalaia

E foi na Congregação Rocha de Israel, que o casal encontrou o apoio que tanta precisava. Mesmo com a dificuldade de se comunicar, Leivis não deixava de frequentar a igreja e teve um encontro pessoal com Jesus. “Para a honra e glória do Senhor Jesus ela se converteu num domingo, ela começou participar dos cultos, entregando sua vida ao Senhor num domingo. E quando foi na terça-feira algo surpreendente aconteceu. O pastor que estava ministrando, e desse dia em diante, e ela conseguiu entender o português. Tudo o que o pastor falava ela passou a entender tudo o que ele falava, inclusive, os cânticos. E para a gente é um prazer ter Leives aqui na nossa congregação, na nossa comunidade. Ela é uma bênção em nossas vidas”, comentou Lucinelma Gomes, que é coordenadora adjunta do Projeto Dorcas na Congregação do Jardim Atalaia.

Ao se matricular no núcleo do Dorcas, instalado nas dependências da igreja, Leivis aprendeu uma nova profissão, fez muitas amizades e aos poucos está reconstruído sua vida. Morando numa casa alugada e ainda sem emprego, o casal venezuelano tem enfrentado várias dificuldades para se manter aqui na Paraíba. A maior delas é a dor da saudade da família, que tem sido amenizada pela fé em Deus e pelo apoio prestado pela igreja. “Eu tenho muitas saudades das minhas meninas muito forte. Antes, antesde conhecer os caminhos de Deus ficava muito mais desesperada, porque não me comunicava com minhas meninas, não dormia, ficava vendo Internet para que assim viesse me comunicar, porque nem mesmo um telefone elas tinham para se comunicar senão através de outra pessoa. E era muito complicado para me comunicar. Ficava muito desesperada, não dormia, passava toda uma noite sentada na cama, pensando e chorando, caminhando em casa, ficando desesperada.Minha mente estava cheia de pura coisa ruim, muita coisa ruim, mas quando conheci a Deus tudo mudou”, testemunhou.  

Mudança essa que tem sido visível na vida de Leivis e Gleomar, que mesmo em meio às dificuldades não desanimam, mas  acreditam em dias melhores. “Lá a situação é muito difícil, muito ruim está agora, mas eu penso que Deus vai fazer sua hora ali. Com o favor de Deus as coisas vão melhorar”, afirmou Leivis.   

E para auxiliar nesse sentido, a igreja está empenhada numa campanha para arrecadar o valor referente as passagens e, assim, trazer a Campina Grande os quatro filhos do casal e mais três familiares. Enquanto aguardam a chegada dos parentes, Leivis e Gleomar vão se virando como podem. Graças a solidariedade de amigos e vizinhos, eles conseguiram boa parte da mobília e montaram um pequeno salão na entrada de onde moram. “Todas as coisas que estão na minha casa, onde moro agora, são porque ganhamos de graça. Meu esposo como trabalha ele é quem compra e manda dinheiro para lá, que é pouco, um pouco aqui paga o aluguel. O aluguel nos cobram 400 reais e tem que mandar para lá”, compartilhou a venezuelana.    

Quem deseja se envolver na campanha em favor desse casal pode procurar a Secretaria de Assistência Social (SAS) da Assembleia de Deus no bairro da Prata ou se direcionar à Congregação Rocha de Israel, localizada na rua Abdísio Militão Prazeres, 45, Vila Cabral. “As pessoas que sentirem o desejo de contribuir para ajudar a nossa irmã Leivis e seu esposo podem procurar a nossa irmã Adeilza no Templo Central ou o pastor da nossa congregação, Pr. Edson Gomes. A igreja fica ao lado da Pousada Atalaia – não tem erroe nós iremos fazer um brechó  beneficente aqui em nossa comunidade e todo o dinheiro que for arrecadado será usado em prol da compra das passagens para que nós possamos trazer a família dela”, finalizou Lucinelma Gomes.

Reportagem: Victor Posse
Imagens: Veneziano Gonçalves

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