Em 2020 a Escola Bíblica Dominical celebra 240 anos de história

A EBD foi criada em 20 de Julho de 1780 pelo jornalista Robert Raikes na cidade de Gloucester, no Centro-Oeste da Inglaterra. A princípio a idéia era ajudar as crianças carentes que trabalhavam durante a semana e no domingo ficavam na rua sem nenhuma supervisão. Visando melhorar o futuro deles, Raikes criou uma escola que funcionaria aos domingos, ensinando educação secular, e principalmente fundamentos cristãos, tendo a Bíblia como livro-texto. Assim os beneficiados teriam educação e se desviariam de vícios e crimes.

No Brasil, a escola bíblica dominical iniciou com o casal escocês Robert e Sarah Kalley, em 1855, em Petrópolis (RJ), com apenas 5 crianças e em sua própria casa. A bem feitoria se espalhou pelo país e as aulas passaram a acontecer nas igrejas.

Segundo o pastor Daniel Carlos Santiago, coordenador geral da EBD da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Campina Grande (IEADCG), “a EBD continua sendo a maior escola teológica do mundo, proporcionando oportunidade de aprendizagem para todas as faixas etárias. Ao longo de sua história, a EBD formou, e ainda forma, milhares de pregadores, cantores, intercessores, missionários e demais edificadores do Reino de Deus. É importante ressaltar que as crianças e as mulheres representam os dois maiores grupos que frequentam a Escola Dominical, pois há, neste caso, uma simbiose, uma associação íntima entre os dois grupos, pois as mães estão mais atentas à educação cristã dos filhos”, disse.

Na Assembleia de Deus no Brasil, foi implantada no ano de 1920 suplementos dominicais que hoje conhecemos como Lições Bíblicas Dominicais. As primeiras revistas circularam no Jornal Boa Semente e eram comentados pelos missionários suecos Samuel Nyström e Nils Kastberg. Mas foi em 1940 com a fundação da Capa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) que teve uma expansão, alcançando as variadas faixas etárias e alcançando as igrejas espalhadas em todo o país.

E ainda hoje é possível ver as transformações da EBD ao longo desse período desde que foi criada. “A EBD passa por constantes mudanças visando ao atendimento das demandas do ensino religioso em tempos pós-modernos. Porém, há muito para fazer, porque, dentre outros desafios, a EBD enfrenta a concorrência das escolas seculares que fornecem equipamentos que atendem às inovações tecnológicas e interagem com todas as mídias digitais, enquanto na maioria das igrejas ainda existe o ultrapassado quadro de giz; concorre com centenas de pólos educacionais espalhados pelo Brasil vinculados aos institutos ou escolas de ensino teológico. Ainda assim, EBD se mantém firme, porque o seu propósito visa à glorificação do nome do Senhor e se ajusta à ortodoxia de cada denominação evangélica”, ressaltou o coordenador da IEADCG.

Sobre aulas online, o pastor Daniel Carlos destaca que “no contexto da pandemia a EBD experimentou a realidade do ensino virtual, uma tendência irreversível no mundo. No Brasil, ainda não há estatísticas quanto ao sucesso ou não das aulas online da EBD, mas acredito que foi um grande passo para uma mudança que se consolida rapidamente. Todavia, deixo claro a minha preferência pelo ensino presencial, no qual se interage com os colegas e com os professores, além do benefício insubstituível da comunhão”, lembrou.

O papel dos professores nos dias atuais deve ir além da mera leitura das revistas, é preciso ir além buscando dentro das temáticas sugeridas, explicações que surpreendam o alunado.

A EBD moderna exige do corpo docente algo mais que o conhecimento do conteúdo, o chamado “professor conteudista”. É também isto, mas os professores devem ter uma percepção abrangente da sala de aula, incluindo os aspectos sociais, culturais, políticos e religiosos dos alunos, bem como os saberes trazidos por cada um”, lembrou o pastor Daniel Carlos.

Atualmente, os estudos acontecem em todas as igrejas Assembleias de Deus no Brasil, que dedicam semanalmente algumas horas do domingo para o estudo das Sagradas Escrituras. Em Campina Grande, os alunos matriculados chegam a 4.150, em todas as faixas etárias. Apesar de existir a 240 anos, a EBD vem enfrentando desafios contemporâneos para manter sua essência e ainda assim alcançar inúmeras pessoas carentes da palavra de Deus.

Quando comparada com a EBD de igrejas grandes, inclusive de algumas capitais, a da IEADCG está bem, mas precisa avançar e melhorar muito. Há desafios que precisam ser superados, porque uma Escola Bíblica para ser relevante precisa de professores qualificados, ensino de qualidade, ambientação adequada etc. A EBD de Campina Grande conta com o pleno apoio do seu presidente, pastor Daniel Nunes da Silva, um homem de Deus e das letras, que ama e reconhece a importância da Escola Bíblica. E visando à qualificação do corpo docente, promovemos, anualmente, duas edições do COFEC, um curso destinado à formação continuada dos educadores cristãos”, concluiu o pastor Daniel Carlos.

Reportagem: Leonarda Barros
Imagens: Arquivo IEADCG